8 Componentes Necessários do Controlo Motor
Proprioceção, exteroceção e interoceção: as três grandes funções que Sherrington já tinha identificado no sistema somatossensorial — e a base sobre a qual o P-DTR constrói a sua abordagem aos recetores.
Publicado em 25 de novembro de 2020 por Miguel Vieira

O sistema somatossensorial (do grego soma, corpo) foi o primeiro sistema sensorial a ser estudado do ponto de vista eletrofisiológico. A informação somática é fornecida por recetores distribuídos por todo o corpo. Charles Sherrington, um dos primeiros investigadores dos sentidos corporais, notou que o sistema somatossensorial cumpre três grandes funções: proprioceção, exteroceção e interoceção.
A proprioceção é o sentido de nós próprios (do latim proprius, “próprio”). Os recetores presentes no músculo esquelético, nas cápsulas articulares e na pele permitem-nos ter consciência da postura e dos movimentos do nosso próprio corpo, sobretudo dos quatro membros e da cabeça. É possível mover partes do corpo sem feedback sensorial dos propriorrecetores, mas os movimentos tornam-se desajeitados, mal coordenados e pouco adaptados a tarefas complexas — sobretudo na ausência de orientação visual.
A exteroceção é o sentido da interação direta com o mundo exterior, na medida em que este afeta o corpo. O seu modo principal é o tato, que inclui sensações de contacto, pressão, deslize, movimento e vibração, e que usamos para identificar objetos. Parte do tato envolve um componente motor ativo — deslizar, tocar, agarrar ou pressionar — em que uma parte do corpo se move contra outra superfície ou organismo. Os componentes sensitivo e motor do tato estão intimamente ligados a nível anatómico no cérebro, e são importantes para orientar o comportamento.
A exteroceção inclui também os sentidos térmicos de calor e frio. As sensações térmicas são reguladores importantes do comportamento e dos mecanismos homeostáticos necessários para manter a temperatura corporal próxima dos 37 ºC. Por fim, a exteroceção inclui também a sensação de dor, ou nocicepção — uma resposta a eventos externos que danificam ou ameaçam o corpo. A nocicepção é um dos principais motores das ações necessárias à sobrevivência, como o afastamento ou a reação de defesa.
O terceiro componente da sensação somática, a interoceção, é o sentido do funcionamento dos principais sistemas de órgãos do corpo e do seu estado interno. Ainda que a maior parte dos eventos registados pelos recetores viscerais não se torne consciente, a informação que transportam é essencial para regular funções autónomas, sobretudo nos sistemas cardiovascular, respiratório, digestivo e renal. Os interorrecetores são, principalmente, quimiorrecetores que monitorizam o funcionamento dos órgãos através de indicadores como os gases sanguíneos e o pH.

Um funcionamento anómalo nos principais sistemas de órgãos, por doença ou trauma, pode gerar sensações conscientes de dor. Grande parte do que sabemos sobre os mecanismos neurológicos da dor vem do estudo dos nocicetores cutâneos, já que são mais fáceis de investigar do que os nervos viscerais. Ainda assim, os mecanismos neurológicos subjacentes à dor visceral são muito semelhantes aos da dor que surge na superfície do corpo.
Este conjunto tão diverso de funções sensoriais pode parecer uma combinação improvável para formar um único sistema sensorial. Os neurónios individuais num gânglio da raiz dorsal respondem de forma seletiva a tipos específicos de estímulo, graças à especialização morfológica e molecular das suas terminações periféricas.
O P-DTR é uma terapia neurológica única, assente na neurologia, na biomecânica, na neurofisiologia, na anatomia e numa investigação profunda. Trabalha diretamente com o sistema nervoso central e tem uma explicação científica lógica para todos os seus princípios. Sob a orientação do Dr. Jose Palomar (fundador), o P-DTR está em constante investigação, e o âmbito da sua aplicação prática tem vindo a expandir-se ano após ano.
De forma simples, o P-DTR é a aplicação prática da neurologia teórica. A fonte de inspiração desta técnica vem, sobretudo, de um conhecimento profundo de neuroanatomia, fisiologia e ortopedia. Toda a informação transmitida na formação dos nossos praticantes pode ser encontrada em qualquer manual de neurologia, fisiologia ou ortopedia. A diferença é que a formação em P-DTR permite aos praticantes compreender exatamente como toda essa teoria neurológica se manifesta em cada pessoa que tratam. O conhecimento dos manuais torna-se imediatamente aplicável a cada avaliação e tratamento feito com P-DTR, permitindo a praticante e paciente ver, em tempo real, a neurologia a agir e a adaptar-se.
Aquilo que distingue o P-DTR como terapia é a forma como compreende o papel das terminações nervosas sensitivas — a que chamaremos, a partir de agora, “recetores” — no funcionamento e nos processos do sistema nervoso central. O P-DTR usa os recetores como ponto de entrada para compreender, avaliar e tratar todo o tipo de disfunções, dor e sintomas possíveis na forma humana.


