Motoneurónios Alfa
Os motoneurónios alfa inervam o músculo esquelético e são responsáveis pelas contrações que geram o movimento. Constituem a única via pela qual o sistema motor comunica com os músculos — a chamada "via final comum".
Publicado em 02 de novembro de 2021 por Miguel Vieira

Os motoneurónios alfa (também chamados motoneurónios inferiores) inervam o músculo esquelético e são responsáveis pelas contrações musculares que geram o movimento. Estes neurónios libertam o neurotransmissor acetilcolina numa sinapse conhecida como junção neuromuscular. Quando a acetilcolina se liga aos seus recetores na fibra muscular, gera-se um potencial de ação que se propaga em ambas as direções ao longo da fibra, desencadeando a contração. Se as extremidades do músculo estiverem fixas, mantendo-o com o mesmo comprimento, a contração traduz-se num aumento da força exercida sobre os pontos de fixação — é a chamada contração isométrica. Se, pelo contrário, o músculo encurta sem qualquer resistência, a contração ocorre com força constante — contração isotónica. Os motoneurónios que controlam os movimentos dos membros e do tronco situam-se no corno anterior da espinal medula, enquanto os que controlam os movimentos da cabeça e da face se encontram nos núcleos motores do tronco cerebral. Apesar de o sistema motor incluir muitos tipos diferentes de neurónios distribuídos por todo o sistema nervoso central, o motoneurónio é a única forma pela qual esse sistema consegue comunicar com os músculos. Por isso, todo o movimento depende, em última análise, da atividade dos motoneurónios inferiores. O célebre fisiologista Sir Charles Sherrington chamou-lhes, precisamente por isso, a “via final comum” do processamento motor.
Os motoneurónios não são meros condutores de comandos motores gerados por níveis superiores da hierarquia. São, eles próprios, componentes de circuitos complexos capazes de um processamento de informação bastante sofisticado. Possuem árvores dendríticas muito ramificadas e elaboradas, o que lhes permite integrar sinais provenientes de um grande número de outros neurónios e calcular a resposta motora adequada.
Existem dois conceitos essenciais para descrever a relação anatómica entre motoneurónios e músculos: o pool de motoneurónios e a unidade motora.
- Os motoneurónios agrupam-se em núcleos espinhais colunares, chamados pools de motoneurónios (ou núcleos motores). Todos os motoneurónios de um mesmo pool inervam um único músculo, e todos os que inervam esse músculo pertencem ao mesmo pool. Existe, portanto, uma relação de um para um entre cada músculo e o seu pool de motoneurónios.
- Cada fibra muscular individual é inervada por um, e apenas um, motoneurónio (importa não confundir músculo com fibra muscular). No entanto, um único motoneurónio pode inervar várias fibras musculares. Ao conjunto formado por um motoneurónio e todas as fibras musculares que ele inerva chama-se unidade motora, e o número de fibras que essa unidade inerva designa-se por razão de inervação.
Quando um músculo é necessário para movimentos finos ou delicados — por exemplo, o movimento dos dedos ou das mãos —, as suas unidades motoras tendem a ter razões de inervação baixas: cada motoneurónio inerva apenas um número reduzido de fibras (entre 10 e 100), o que permite muitas nuances de movimento em todo o músculo. Já quando um músculo é usado sobretudo para movimentos grosseiros — como um músculo da coxa —, as suas unidades motoras tendem a ter uma razão de inervação elevada (por vezes, um único motoneurónio inerva mil ou mais fibras musculares), já que não há necessidade de contrações diferenciadas e altamente coordenadas de fibras individuais para produzir um movimento fino.



