← Todos os artigos

Informação Sensorial e o P-DTR

Como um piano ou um computador, o corpo humano converte diferentes tipos de estímulo em sinais elétricos — e é esse processo de transformação que o P-DTR usa como ponto de partida para o tratamento.

Publicado em 10 de agosto de 2020 por Miguel Vieira

As principais modalidades sensoriais no ser humano são mediadas por classes distintas de neurónios recetores, localizados em órgãos sensoriais específicos. Cada classe de célula recetora transforma um tipo de energia estimulante em sinais elétricos, codificados como sequências de potenciais de ação. As principais células recetoras incluem fotorrecetores (visão), quimiorrecetores (olfato, paladar e dor), recetores térmicos e mecanorrecetores (tato, audição, equilíbrio e proprioceção). Os cinco sentidos clássicos — visão, olfato, paladar, tato e audição — e o sentido de equilíbrio são mediados por recetores no olho, no nariz, na boca, na pele e no ouvido interno, respetivamente. As restantes modalidades somatossensoriais — sentidos térmicos, dor e proprioceção — são mediadas por recetores distribuídos por todo o corpo.

A informação sensorial corresponde à atividade neuronal que resulta da estimulação de células recetoras em zonas específicas do corpo. Estes sentidos incluem os cinco sentidos clássicos, mas também várias modalidades que os antigos não reconheciam, apesar de essenciais ao funcionamento do corpo: as sensações somáticas de proprioceção (postura e movimento do próprio corpo), dor, comichão e temperatura; as sensações viscerais (conscientes e inconscientes) necessárias à homeostase; e os sentidos vestibulares de equilíbrio (posição do corpo no campo gravitacional) e movimento da cabeça.

É surpreendente a forma como certas características do processamento sensorial se mantiveram conservadas ao longo da evolução humana. Em cada sistema sensorial, os recetores constituem a primeira representação neuronal do mundo exterior. Esta informação flui depois para regiões do cérebro envolvidas na cognição. As vias sensoriais têm componentes tanto seriais como paralelos, formados por tratos de fibras com milhares ou milhões de axónios, interrompidos por relés sinápticos que envolvem milhões de neurónios. Ao longo deste percurso, a informação transforma-se: de formas relativamente simples para as formas complexas que sustentam a cognição. As vias sensoriais são também recursivas — os centros superiores do cérebro modificam e estruturam o fluxo de sinais sensoriais que entram, enviando informação de volta para etapas anteriores do processamento; assim, a nossa perceção é moldada tanto por fatores internos como pelo ambiente.

Em cada modalidade sensorial, um tipo específico de energia estimulante é transformado em sinal elétrico por recetores especializados. Essa informação é depois transmitida ao sistema nervoso central através de sequências de potenciais de ação que representam aspetos particulares do estímulo original.

Informação Sensorial e o P-DTR, ilustração 1

O P-DTR é uma terapia neurológica única, assente na neurologia, na biomecânica, na neurofisiologia, na anatomia e numa investigação profunda. Trabalha diretamente com o sistema nervoso central e tem uma explicação científica lógica para todos os seus princípios. Sob a orientação do Dr. Jose Palomar, cirurgião ortopédico e fundador, o P-DTR está em constante investigação, e o âmbito da sua aplicação prática tem vindo a expandir-se ano após ano.

De forma simples, o P-DTR é a aplicação prática da neurologia teórica. A fonte de inspiração desta técnica vem, sobretudo, de um conhecimento profundo de neuroanatomia, fisiologia e ortopedia. Toda a informação transmitida na formação dos nossos praticantes pode ser encontrada em qualquer manual de neurologia, fisiologia ou ortopedia. A diferença é que a formação em P-DTR permite aos praticantes compreender exatamente como toda essa teoria neurológica se manifesta em cada pessoa que tratam. O conhecimento dos manuais torna-se imediatamente aplicável a cada avaliação e tratamento feito com P-DTR, permitindo a praticante e paciente ver, em tempo real, a neurologia a agir e a adaptar-se.

Aquilo que distingue o P-DTR como terapia é a forma como compreende o papel das terminações nervosas sensitivas — a que chamaremos, a partir de agora, “recetores” — no funcionamento e nos processos do sistema nervoso central. O P-DTR usa os recetores como ponto de entrada para compreender, avaliar e tratar todo o tipo de disfunções, dor e sintomas possíveis na forma humana.

Para ilustrar o âmbito em que o P-DTR consegue atuar, vale a pena recorrer a uma analogia conhecida da informática. Um computador tem hardware, software e firmware. O ecrã, o teclado ou os altifalantes são exemplos de hardware. O Microsoft Word, ou o Windows XP, são exemplos de software. O programa que faz a ligação entre o botão de ligar e o disco duro, dando a instrução para o computador arrancar, é um exemplo de firmware.

No corpo humano podemos aplicar a mesma analogia. O hardware são os ossos, os ligamentos, os órgãos, os nervos, os vasos sanguíneos e o próprio cérebro físico. O software é a comunicação dentro do sistema nervoso central e todas as suas funções interligadas. O firmware são os reflexos primitivos com que nascemos, e algumas das funções autónomas inconscientes que o nosso corpo realiza.

Como terapia, o P-DTR atua principalmente sobre o software e o firmware desta analogia, mas tem também um papel importante no tratamento das causas de alguns problemas de “hardware”, como condições crónicas degenerativas, e também no período pós-operatório, quando a estrutura física do corpo foi alterada cirurgicamente.

Excerto de: Kandel, Eric. “Principles of Neural Science”, 5.ª Edição.

Partilhar este artigo

0 Comentários

Desajuste Visual e Erros de Expectativa

O cérebro não se limita a registar o mundo — prevê-o constantemente. Quando a visão contradiz essa previsão, o sistema nervoso pode alterar o tónus muscular e os reflexos para tentar resolver o conflito.

Ler mais →
0 Comentários

Potencial de Repouso da Membrana: A Base Elétrica do P-DTR

Antes de qualquer potencial de ação, existe uma voltagem estável entre o interior e o exterior do neurónio. Compreender essa base elétrica ajuda a entender por que razão o P-DTR consegue mudar tão rapidamente o output motor e a dor.

Ler mais →
0 Comentários

Estabilidade Imunitária e Estabilidade Neurológica

Sistema nervoso e sistema imunitário não são duas redes separadas, mas uma única rede de defesa integrada. Compreender esse diálogo muda a forma como se aborda a dor persistente.

Ler mais →