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Os Recetores Sensoriais Respondem a um Único Tipo de Energia Estimulante

Cada recetor sensorial é altamente específico: responde a um único tipo de energia, num local preciso do corpo. É essa especificidade que dá origem à riqueza da nossa experiência sensorial.

Publicado em 06 de agosto de 2020 por Miguel Vieira

“Diz-se muitas vezes que o poder do cérebro está nos milhões de neurónios que processam informação em paralelo. Se compreendermos uma célula muscular, compreendemos, em essência, como funciona um músculo inteiro. Mas o poder do cérebro está na ação paralela de milhões de células, cada uma a fazer algo diferente; para compreender o cérebro precisamos de entender como as suas tarefas estão organizadas e como cada neurónio, individualmente, executa a sua parte.

Os Recetores Sensoriais Respondem a um Único Tipo de Energia Estimulante, ilustração 1

As diferenças funcionais entre os vários sistemas sensoriais nascem dos diferentes tipos de energia estimulante que os ativam, e das vias específicas que compõem cada sistema. É por causa destas características que cada neurónio desempenha uma tarefa concreta, e a sequência de potenciais de ação que produz tem um significado funcional específico para todos os neurónios pós-sinápticos que a recebem. Esta ideia de base já estava presente na teoria da especificidade proposta por Charles Bell e Johannes Müller no século XIX, e continua a ser uma das pedras angulares da neurociência sensorial.

A riqueza da experiência sensorial começa em milhões de recetores sensoriais altamente específicos. Cada recetor responde a um tipo concreto de energia, em locais específicos do corpo, e por vezes apenas a energia com um padrão temporal ou espacial muito particular. O recetor transforma essa energia estimulante em energia elétrica, criando assim um mecanismo de sinalização comum a todos os sistemas sensoriais. A amplitude e a duração do sinal elétrico produzido pelo recetor — chamado potencial de recetor — estão relacionadas com a intensidade e a duração da estimulação. A este processo de conversão de um tipo específico de energia estimulante num sinal elétrico chama-se transdução do estímulo.

Os recetores sensoriais são especializados, a nível morfológico, para converter formas específicas de energia, e cada um possui uma região anatómica especializada onde essa transdução ocorre. A maioria dos recetores é seletiva, de forma ótima, para apenas um tipo de energia estimulante — uma propriedade chamada especificidade do recetor. Vemos determinadas cores, por exemplo, porque temos recetores seletivamente sensíveis a fotões de comprimentos de onda específicos; e sentimos determinados odores porque temos recetores que se ligam a moléculas odoríferas específicas.”

Excerto de: Kandel, Eric. “Principles of Neural Science”, 5.ª Edição

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